Nos anos 1960, movimentos políticos contraculturais denunciavam o capitalismo não somente como estrutura macroeconômica perversa e injusta, mas também como um processo de fabricação de subjetividades alienadas. A luta anticapitalista, portanto, teria de ser travada em diversos fronts, procurando conquistar ( e formar) corações e mentes para o inconformismo e para a tarefa da construção de um mundo baseado em valores humanos e não nos valores de mercado.
Passados mais de 40 anos, o neoliberalismo impôs, não sem encontrar resistências, a ditadura do mercado e do pensamento único. Ao mesmo tempo em que avança na mercantilização da vida humana e da natureza, estendendo uma onda de destruição sócio- ambiental inédita na história, a (des)ordem neoliberal também se expressa na monopolização da produção de bens simbólicos, de informação e conhecimentos. Hoje a mídia global está nas mãos de duas dezenas de conglomerados, com receitas entre 8 e 40 bilhões de dólares, a serviço da hegemonia do capital e da difusão da idéia de que não há alternativa possível ao estado de coisas em que vivemos.
Mais do que nunca, essa realidade nos impõe a tarefa de construirmos iniciativas contrahegemônicas capazes de furar esse imenso bloqueio que busca conter as potencialidades criativas do gênero humano. E falar em construit contra-hegemonia é assumir que nesse combate nos colocamos ao lado da classe trabalhadora, a única capaz de realizar no devir histórico as aspirações à emancipação humana.
Se todo monumento de cultura é também um monumento de barbárie, pois carrega em si os despojos dos que foram vencidos na história, pensar uma contracultura é rememorar essas lutas e fazê-las viver no presente. Walter Benjamim, em suas teses " sobre o conceito de história", nos lembra que " existe um encontro marcado entre as gerações precedentes e a nossa. " Há um legado de lutas que deve ser recuperado, ao qual devemos contas.
A sociedade que construiremos com nossas próprias mãos, guiadas por nosos sonhos, é urgente e necessária. O que move é uma esperança ativa, entendida como ensaio de um futuro que está por vir.
Torno minhas as palavras do poeta Bertolt Brecht:
"Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceites o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desesordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."

Um comentário:
esta luta ta cada vez mais difícil, a sociedade cada vez mais se aliena, mas tb muita gente esta criando uma consciência para resistir..é isso aí
Desistir Jamais!!!
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